domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo! Que 2013 chegue repleto de ESPERANÇA!

Esperança


                             Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano


Vive uma louca chamada Esperança


E ela pensa que quando todas as sirenas


Todas as buzinas


Todos os reco-recos tocarem


Atira-se


E


— ó delicioso vôo!


Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,


Outra vez criança...


E em torno dela indagará o povo:


— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?


E ela lhes dirá


(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)


Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:


— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.
Biografia completa em:
http://www.releituras.com/mquintana_bio.asp

 

domingo, 18 de novembro de 2012

HÁ 5 ANOS...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A LUCIDEZ PERIGOSA



Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

CLARICE LISPECTOR, in A DESCOBERTA DO MUNDO, (Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

TINNINHA - Assim começa a história


Tudo começou numa manhã de março, por volta das 6:00 da manhã. Lá ia eu, apressada para o ponto de ônibus, mas meus olhos tiveram a curiosidade de perceber uma ninhada de gatinhos do lado de fora do portão de uma casa, em frente à qual eu passava há 11 anos, sem nunca ter reparado por ali nada que me chamasse a atenção. Porém, desta vez, eis que a movimentação alegre dos bichanos encheu de graça minha manhã. Pensei comigo se eles não estariam fugindo, por descuido de algum morador que tenha saído da casa e deixado o portão aberto. Eram vários gatinhos e pareciam estar se regozijando com a liberdade de ver a rua e seus passantes apressados em direção ao trabalho. Cogitei chamar na casa, mas desisti, visto meu tempo estar curto e "perder" o ônibus não seria nada bom. Continuei meu caminho com a imagem dos bichinhos na retina. Trabalhei e retornei para a cidade. Minha volta para casa era sempre por outra rua e, praticamente, esqueci-me dos gatinhos.
Mas,  no dia seguinte, mesmo horário, mesmo itinerário, eis que meus olhos curiosamente buscam  a calçada da casa onde vi os bichinhos. Desta vez não vi nenhum dos filhotes a fazer as levadezas do dia anterior, mas havia uma novidade naquele portão: "ADOTE UM GATINHO". Já estava clara minha decisão enquanto perfazia o restante do percurso: sim, teríamos pela primeira vez um gatinho. Vislumbrei a alegria, a euforia das minhas meninas, uma, na época, com 7,  outra com 10.
Decidi que esperaria até o final de semana, mais precisamente o sábado em que estaríamos as 3 em casa e sem antecipar nada, levei-as à "casa dos gatinhos". Perguntei por eles e a dona da casa me respondeu que sobrara apenas um: "aquele ali". Embora já soubesse a resposta, perguntei às minhas filhotas se gostariam de ter aquele gatinho, se cuidariam dele direitinho e tal. A Resposta foi efusiva, com aquele brilho nos olhos que a gente sabe que nunca vai esquecer.
Saímos com o bichinho no colo e fomos imediatamente à mercearia, mas lá não havia ração para gatos. A primeira coisa que descobri como futura dona de um bichano é que não se pode entrar em lugares de comércio com o animalzinho. O filho do dono não se fez de rogado e passou uma reprimenda na minha filhinha menor, dizendo a ela que levasse o gato para fora do estabelecimento,  pois do contrário iria encher o local de pelo. É claro que fiquei muito brava, pois ele deveria solicitar a mim que tomasse tal atitude e não à criança. 10 minutos de adoção, e  eu já comprava briga  pelo bichinho; começávamos bem.
Relembrando um pouco minha relação com tais bichos, convém mencionar que meu pai odiava gatos e eu, por extensão, acabei nutrindo pelos bichanos  um certo quê de desconfiança, sem muita aproximação. Mas, agora, meu pai, que Deus o tenha, não se encontrava mais entre nós no plano físico, então sem problemas ter o gatinho. 
Passado o ocorrido na mercearia,  gastamos o resto do sábado ensaiando nomes para ela, já que viramos o animalzinho de patas para cima e não havia órgão sexual masculino, então era ela e ganhou  nome feminino, delicado, melódico. Bastava chamar: Tiinninhaaaaaa (pronuncia-se Tiniiinhaaaa) e ela já vinha toda se enroscando nas pernas da gente, miando manhosa, querendo colo ou comida. 
Foram brigas intermináveis entre mim e as minhas duas mocinhas para que não levassem a Tinninha para a cama. Fui alertada por um irmão que "esse bicho dá cria uma após a outra, vocês vão ver". Com isso, a donzelice da TInninha tornou-se nosso maior cuidado. Provavelmente, os vizinhos se irritaram muitas vezes quando, tarde da noite, estávamos as 3 (porque eu entrei nessa também)... pois bem, ficávamos as 3 a chamar pelo quintal, debaixo dos muros, quando a gatinha se aventurava por outros territórios: Tinninhaaa! Tinninha! 
Muito bem cuidada e alimentada, ela sempre dormiu em lugar especial, preparado só para ela, com sua comidinha, água, a caixa de areia e a almofada. Chegou a tomar banho perfumado e ter laço no pescoço, ao que eu, vendo o esforço do bicho para se desvencilhar do apetrecho, obriguei as meninas a retirarem sob ameaça de devolver a gata para a antiga dona.
E naqueles 3 meses que se passaram, a Tinninha nos fez sorrir com seus olhinhos quase se fechando quando miava, parecendo querer falar, suas posições esquisitas ao dormir, a briga que travou com uma abelha e acabou levando a pior, as unhadas que, de vez em quando, dava no cachorro Quim Zé, quando este a provocava na briga por espaço.
Comecei, no entanto, a me preocupar quando  uma das minhas filhas, que estava sempre com Tinninha no colo,  apesar das minhas constantes advertências, veio me mostrar que havia algo estranho, um tipo de caroço perto dos órgãos genitais da Tinninha. Apalpei e não vi nada de mais e continuamos nossa vida, tudo normal, mas sempre a minha filha me falando desse tal caroço da Tinninha.
Pois bem... Dia passa, outro vem e a Tinninha continuava arteira, levada; agora começava a aparecer no telhado um gatão preto; vigilância redobrada sobre a donzela amarelinha.
Mas a verdade sempre aparece e, é  claro, que no reino dos gatos não poderia ser diferente: numa dessas observações sobre a alteração que estava ocorrendo no corpo do bichinho, veio o que não consegui, no exato momento,  conceituar se gostava ou não do fato, mas...TINNINHA ERA MACHO!!!! Carocinho, que nada!!! Tiinninha tinha  testículos!!!
Como dizem os autênticos mineiros: "Uai sô, que má nota!!!" 
Acho que as meninas ficaram meio tristes porque já haviam se acostumado com a ideia de ter uma gatinha para enfeitar, colocar saiote, laços, ter filhotinhos... Porém, o que me veio na cabeça na hora da inesperada revelação foi: qual o nome terá o gato? Como mudar o nome dele se já acostumou a que o chamemos de Tynninha? E agora? 
Começamos a testar chamá-lo de Thinnim, sem o "a" final;  na hora de comer agora falamos assim: Thinniiiiiiiiiiiimmmmmmmmm! Thin-nym-immmmmmmmmm! Está funcionando.
Caramba!!! Por que ninguém me avisou que só dá para ver melhor o sexo do bichinho depois de uns 2 ou 3 meses de nascido?!
Mas nosso amor não diminuiu  devido à confusão de gênero e Thinnim se tornava a cada dia mais lindo e arteiro. Não foram poucas as vezes em que desapareceu de casa, deixando-nos aflitas. Digo aflitas porque me refiro às meninas da casa: eu e minhas duas filhas, já que o homem da casa, meu filhotão não tinha muito jeito com  animais, apenas se limitando a resmungar de vez em quando: "que bicho esquisito...Olha como ele tá deitado, todo torto, cabeça para um lado, pernas pro outro". Enfim, o bichano sumia pelas redondezas atrás das gatas, chegando a sumir por mais de uma semana. Gato não dá para prender, vocês sabem; o bicho tem um relacionamento com a liberdade e com a autolimpeza invejáveis. E eis que um dia Thinnim nos aparece no quintal com sintomas estranhos, contorcendo-se de dor: eram claras as evidências de envenenamento, e não houve como salvá-lo.
Muito choro... amaldiçoamos a pessoa das redondezas que matou o nosso bichinho e prometi não adotar nunca mais outro animal, para não ver novamente minhas filhas sofrerem. 
Mas aí, chegou o Smilinguido, que também foi envenenado, novo choro, novas maldições, nova promessa.
Depois veio a Gigi, a Poppy, a Pretinha.  A Gigi morreu, mas não foi por envenenamento,e agora temos ainda duas donzelinhas para cuidar, com certeza de que são mesmo fêmeas.
Meu filho foi atacado pelo vírus "não posso ver bicho sem lar" e trouxe o Negão, cachorro bonito, dócil, que fugiu de casa, foi regatado por uma vizinha, que sem saber que era nosso, segundo ela,   doou-o para outra residência bem longe, de onde ele fugiu, indo atrás de uma cadela.  Aí veio o Lord, encontrado também por meu filho, numa caixa cheia de filhotinhos de cachorro; ele pegou um e levou os outros para um pet shop. Ele se chama Lord, mas não é lá muito  elegante: come meia, pé de rodo, pé de vassoura, chinelo, vasilhas plásticas de água e comida e adora a rua, como todo viralata.

sábado, 31 de março de 2012

Clarice, eterna

Não tenho tempo para mais nada...

Ser feliz me consome muito.

Sou como você me vê.

Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania:

depende de quando e como você me vê passar.

Eu acreditava em anjos.

E, porque acreditava, eles existiam.

Perder-se também é caminho.

Já que se há de escrever, que, pelo menos, não se

esmaguem -com palavras- as entrelinhas.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso.

Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Não se preocupe em entender.

Viver ultrapassa qualquer entendimento.

Todos os dias, quando acordo, vou correndo

tirar a poeira da palavra “amor”.

Há a vida que é para ser intensamente vivida.

Há o amor, que tem que ser vivido até a última gota.

Sem nenhum medo. Não mata.

Sempre conserve uma aspa à sua esquerda e outra à sua direita.

Que medo alegre o de te esperar!

Tenho medo de dizer quem sou: no momento em que tento

falar, não exprimo o que sinto e o que sinto se transforma,

lentamente, no que eu digo.

Quando se ama, não é preciso entender o que se passa lá

fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

Eu nem entendo mais aquilo que entendo.

Pois, estou infinitamente maior do que eu mesma...

então, não me alcanço.

Ouve-me. Ouve o meu silêncio.

O que falo nunca é o que falo e, sim, outra coisa.

Capta a “outra coisa” porque eu mesma não posso.

Você pode, até, me empurrar de um penhasco...

E daí? Eu adoro voar!

E ninguém é eu. E ninguém é você.

Esta é a solidão.

Minha alma tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

O que verdadeiramente somos

é aquilo que o impossível cria em nós.

Sou composta por urgências:

minhas alegrias são intensas,

minhas tristezas, absolutas.

Me entupo de ausências,

me esvazio de excessos.

Eu não caibo no estreito...

Eu só vivo nos extremos...

Clarisse Lispector

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quem vai atirar o primeiro doce?


Imagem da Web
In: http://mylittlevintagewedding.blogspot.com/2010_07_01_archive.html

Tantas notícias e reportagens prenderam de alguma forma minha atenção nestes primeiros dois meses de 2012:  revolta no Egito, Chuvas em Minas e no Rio, prédios que desabam na Cidade Maravilhosa, ministros do Governo Dilma em queda livre... 
Pois, entre todas essas, mais uma veio apoquentar minha  cabeça, na qual já despontam os primeiros fios brancos:  "Açúcar faz tão mal à saúde quanto bebidas alcoólicas e cigarro"
Poxa! E eu que me vangloriava de não fumar ou beber! E agora? Será que, quando for advertir alguém sobre os prejuízos do cigarro à saúde vão jogar na minha cara que doce também mata?
Claro que eu vou argumentar em meu favor, embora o que eu escrevo aqui a respeito do assunto doces não seja nenhuma novidade.
Para minha defesa, vale aqui lembrar que a tradição mineira é recheada com muitos doces. Casa de bom mineiro sempre tem um agrado para as visitas, feito com esmero e carinho. Nossas festas são uma loucura gustativa, olfativa e visual e, além de oferecermos docinhos deliciosos durante as comemorações, mimamos nossos convivas com pratinhos cheios para levarem para casa  a fim de continuarem degustando depois.  Há quem diga, em tom de deboche, que isso é "sintoma de pobreza", ou seja, sair de uma festa carregando pratinhos. Mas eu digo: que pobreza feliz! Quisera eu que  todos os pobres desfrutassem desse gostinho!
Parece que não tem mesmo jeito: minha imaginação relaciona doce a festa e felicidade; não consigo evitar. Tive uma infância lambusada,  melada mesmo com rapadura,  doce de leite, doce de arroz (arroz doce), doce de mamão, goiabada, mingau de milho verde, canjica. Na rua da escola, encontrava nas "vendas" do bairro  a maria mole, quebra-queixo, suspiro, que a gente comia, mas não se saciava, pois em casa tinha porções generosas dos doces caseiros da mãe e da avó. 
Picolé, sorvete, chocolate e refrigerante ainda eram, na minha época, menos acessíveis. Como bebida se "açucarava"  uma limonada ou comprava Ki-suco de pacotinho, que mais tarde virou "suquinho", "chup-chup" e que ainda hoje adoçam e refrescam as boquinhas em muitas cidades do interior das Minas Gerais.
Hoje, tento me policiar e educar filhos e alunos para um maior controle do consumo de açúcar. Mas eis que me vem um aluno, num momento em que estou seriíssima, concentrada em uma anotação em sala de aula e:
-Professora, quer uma bala?
Essa aproximação me desmonta e me faz sorrir o mais doce dos sorrisos.

Açúcar faz tão mal à saúde quanto bebidas alcoólicas e cigarro
Consumo de açúcar triplicou em 50 anos e alimento mata 35 milhões por ano
São Francisco, EUA. Não é novidade que bebidas alcoólicas e cigarros sejam alvos de impostos. Mas, para pesquisadores norte-americanos, o açúcar também deve entrar para esta lista de produtos taxados, uma vez que o alimento é considerado igualmente tóxico e, assim, justificaria uma medida de controle para o consumo.
De acordo com artigo publicado no periódico científico "Nature" desta semana, os cientistas Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, alertam que o consumo de açúcar triplicou nos últimos 50 anos. Vale lembrar que a substância está presente em diversos alimentos e bebidas, como refrigerantes. Somente nos Estados Unidos, por exemplo, um cidadão consome em média 216 l por ano.
Além disso, o açúcar é responsável por 35 milhões de mortes por ano, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que ele contribui para o desenvolvimento de doenças como diabetes e problemas de coração.
Considerando o elevado risco à saúde, os cientistas acreditam que as autoridades precisam agir para que a sociedade consiga reduzir a ingestão desses produtos. Além do aumento do imposto sobre os itens industrializados acrescidos de açúcar (como sucos, achocolatados e cereais), eles sugerem a limitação de vendas desses alimentos durante o horário escolar e em ambientes de trabalho. Outra ideia seria impor idade mínima de 17 anos para a compra dos alimentos açucarados.
Estima-se que o número de obesos seja 30% maior que o de desnutridos. Não apenas o açúcar, mas itens como gordura e sal têm contribuído para esse quadro.
Entretanto, para a nutricionista Michelle Alves, professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), não adianta impor taxas aos produtos se as pessoas não tiverem consciência sobre a saúde.
"Se a pessoa não tiver consciência de que o açúcar faz mal, ela vai comprar os produtos de qualquer maneira. O governo precisa falar sobre as consequências futuras do consumo de açúcar em excesso, que gera prejuízos à saúde", alerta.
Fonte: O Tempo  03/02/2012

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Alguém aí, " leva eu pra roça"!!!

Percebo que me conheço um pouco melhor a cada ano que passa e desconstruo conceitos que pareciam que iriam perdurar para sempre. Mas, conforme o Raul  "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".
A cada vez que os jornais noticiam uma tragédia nas grandes cidades, meu coração pede pra fugir para o interior. Quase ninguém consegue me imaginar na "roça", mas na verdade, é porque não sabem que meu coração caipira gosta de mato, natureza, água de rio, essas coisas. 
Há quem pense que eu não sei sequer acender um fogão a lenha, mas é ledo engano:  sou habilidosa nessa área, a despeito de ser professora, blogueira, adepta de redes sociais e tudo o mais que posso usufruir na modernidade da cidade grande. 
Não sei explicar de onde vem essa veia roceira que gosta de chuva no telhado e cheiro de terra molhada.
Se falam que houve um assalto, penso na roça; quero fugir para lá. Se me contam de acidentes graves no trânsito, é pra roça que meu pensamento viaja. Se cai um prédio, como os do Rio de Janeiro, na última quarta-feira, meu coração já dispara, pensando que na roça não tem nada disso.
Será que estou mais medrosa? Eu acreditava que era cheia de coragem...
E essa aposentaria que não chega logo... mais 4 anos! Ufa!!!

Amigos, voltei!

 Depois de longos seis meses em que não conseguia acessar o blog, depois de muitas e muitas e muitas tentativas recuperei o acesso e estou de volta. Queria ter só coisas boas para falar aqui, mas nesse tempo, a minha mãe foi para uma outra dimensão, em que deve, com certeza, estar em paz...
Meu pai, quando faleceu, mereceu um post aqui nesse meu cantinho, então não será diferente com a minha mãe. São dois meses e alguns dias,  mas parece tão recente. Li em algum lugar que "A saudade existe, não porque estamos longe, mas porque estivemos juntos um dia". Concordo.
Uma coisa que marcava a presença da minha mãe no espaço físico da casa eram os rádios ligados. Ela mantinha três, normalmente ligados ao mesmo tempo. Um ficava no quarto, um na sala e o outro no banheiro. Isso mesmo:  no banheiro. Quase sempre ficavam sintonizados em programas dedicados à religião; ela era católica fervorosa.
Agora, a casa está mais silenciosa, um silêncio chato, dolorido, que grita lá no fundo do coração da gente.
Ela se foi assim, de repente, e o que me conforta é pensar que ela não sofreu no momento de se desvincular desse nosso plano terreno. Saiu de casa alegre e faceira para ir às missa e no caminho, a poucos metros de casa, veio a falecer;  isso é privilégio de poucos.
Mas  aqui estou eu; aqui estamos nós...