sábado, 23 de julho de 2016

É preciso não esquecer nada



É preciso não esquecer nada:

nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
 

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
 

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
 

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
 

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.



Cecília Meireles
 (1962)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Boemia

Penso que quase todo mundo já teve um relacionamento e saiu, demorou um tempo em outros caminhos, mas acabou voltando.
Eu também...
Depois de um início cheio de animação, anos de liberdade de expressão em versos, canções, confissões, enfim, outra opção foi-se me apresentando e quando dei por mim eu já dava minhas melhores horas, emoções e risadas em outro espaço.
Conheci novas pessoas, sendo que a maioria não fazia parte do grupo do meu outro relacionamento. O novo me apresentou desde novas pessoas que eu nem via, mas que me mostravam onde estavam, com que roupa, o que comiam, até as tendências musicais, muitas delas de gosto bem duvidoso, diga-se de passagem, bem como posições ideológicas não só diferentes, mas em total desencontro com meu modo de pensar.
E assim se passaram 4 anos. Dentro de mim, reminiscências do relacionamento passado vinham de forma tranquila e, por algumas vezes, busquei fotos, imagens, num saudosismo que, contudo, não me fez voltar; o novo, moderno e dinâmico me cativava ainda.
Confesso que me irritei com os erros de grafia e com a futilidade que encontrava no meu "new passion" , mas em consideração a umas poucas pessoas de papo interessante que encontrei através dele, relevei e permaneci na relação.
Mas o "saco" foi enchendo e não deu jeito: deletei!
No início, é claro que não quis saber de outro compromisso, pois a cabeça estava saturada; sentia uma liberdade formidável, certeza de que fiz a coisa certa.
E curti essa liberdade, sem dar importância às críticas e estranhamentos; estava, na verdade, orgulhosa de mim mesma, a ponto de "encher a boca" muitas vezes e disse "tô fora"!
Mas veio batendo aos poucos uma saudadezinha, um saudosismo, quase "sofrência". Olhava imagens e escritos de anos atrás e sentia uma singela felicidade, mas deixava tudo lá no passado, incapaz de ver que estava mais do que na hora de voltar.
E não é que numa dessas situações banais do dia-a-dia, o simples ato de mostrar uma imagem e algumas palavras escritas para alguém e, quando essa pessoa se admirou e disse:"Eu não sabia desse seu gosto" e "Que bacana"!
 Pronto! Veio o insight: Eu vou voltar para meu blog!
E assim, com calma, sem me obrigar a ter inspiração em algum assunto para recomeçar, eis que, entre a reprise de "Karatê kid" e a novela "Anjo Mau", no "Vale a pena ver de novo", deu vontade de escrever e o smartphone se converteu na ferramenta que registra esta minha volta. Se houver alguns errinhos, perdoem; consertá-los-ei ao editar no computador. É que eu não podia desperdiçar a oportunidade, entendem?
Não me julguem por ter trocado o Blog pelo Facebook, tá?
Espero que com essa crônica sem-vergonha, meu blog me aceite de volta.
Cida dos Santos



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Coisas de amiga de porte


Descobri hoje que eu tinha amiga fiel...
Quase 13 anos em que me sentei a seu lado.
Confesso que não lhe dei muita atenção, na pressa de "pegar" o ônibus para casa, às margens da BR.
Quanto sol e quanta chuva, poeira, barulho intenso você, minha amiga, presenciou junto a mim nos poucos metros quadrados em que ficávamos.
Hoje, mais uma vez, estivemos próximas, enquanto um vendaval varria as folhas do asfalto. Sinceramente, nem olhei para você, preocupada em fechar o livro que eu lia, ajeitar os cabelos que se rebelavam, enquanto começavam a cair as primeiras gotas de chuva.
Preocupei-me, olhar aflito na direção de onde deveria surgir o ônibus; só então percebi você a tombar. Engraçado isso: você tão grande, mas tão suave e silenciosamente foi ao chão. Você não caiu de uma vez, não fez estrondo, apenas deitou.
Demorei a reagir, olhando suas raízes expostas bem próximas a meus pés. Do outro lado da estrada, várias pessoas gritavam meu nome e me falavam para sair dali, de perto de você. Não havia medo, pois naquele momento percebi que, gentilmente, você desviou o curso da sua queda para não me atingir.
Obrigada, minha boa amiga! Sentirei sua falta. Não postarei aqui fotos de você caída ao chão...

Esta estrada ficará mais triste sem você.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

September!

♪ ♫ "Ba de ya - say do you remember
                   Ba de ya - dancing in September"♪ ♫

Tal qual muitas pessoas, eu assisto aos filmes de sucesso depois que eles saem de cartaz.
Em 2012 assisti no cinema apenas ao filme Os Mercenários 2, igualmente neste ano, em que vi apenas 1: o Homem de ferro, ambos a convite do meu filhão lindão .
Percebo-me, ultimamente, a gostar mais de ação e aventura, estou mais seletiva para as comédias e continuo fã da ficção científica. O que mudou, então? Em verdade vos digo que não tenho tido muita paciência para os dramalhões nem para os filmes água com açúcar. Também meu gosto musical se envereda por outros ritmos, cabeça, ombrinho, cintura, mãozinha se assanhando em outros embalos. Será que isso é problema da idade? Se for, não se preocupem, pois ao menos não vou usar top, shortinho ou minissaias .
Voltando a falar em filmes (aqueles que eu falei acima que vejo só depois que todo mundo já viu), nesta semana assisti ao longa francês Intocáveis, lançado no Brasil em 2012. Gente, que filme legal! Leve, com muitas cenas cômicas, mas nos deixando muitas mensagens a respeito da vida. Adorei o enredo, atores e a trilha musical, também incrível, com a música September de Earth, Wind and Fire fazendo a abertura.