quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Coisas de amiga de porte


Descobri hoje que eu tinha amiga fiel...
Quase 13 anos em que me sentei a seu lado.
Confesso que não lhe dei muita atenção, na pressa de "pegar" o ônibus para casa, às margens da BR.
Quanto sol e quanta chuva, poeira, barulho intenso você, minha amiga, presenciou junto a mim nos poucos metros quadrados em que ficávamos.
Hoje, mais uma vez, estivemos próximas, enquanto um vendaval varria as folhas do asfalto. Sinceramente, nem olhei para você, preocupada em fechar o livro que eu lia, ajeitar os cabelos que se rebelavam, enquanto começavam a cair as primeiras gotas de chuva.
Preocupei-me, olhar aflito na direção de onde deveria surgir o ônibus; só então percebi você a tombar. Engraçado isso: você tão grande, mas tão suave e silenciosamente foi ao chão. Você não caiu de uma vez, não fez estrondo, apenas deitou.
Demorei a reagir, olhando suas raízes expostas bem próximas a meus pés. Do outro lado da estrada, várias pessoas gritavam meu nome e me falavam para sair dali, de perto de você. Não havia medo, pois naquele momento percebi que, gentilmente, você desviou o curso da sua queda para não me atingir.
Obrigada, minha boa amiga! Sentirei sua falta. Não postarei aqui fotos de você caída ao chão...

Esta estrada ficará mais triste sem você.

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