segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Encontro - 10/10 - "Língua - Vidas em Português"

No encontro deste dia, dedicamo-nos a saber um pouco mais sobre a nossa "Última Flor do Lácio". Deixei todas as discussões para depois que assistíssemos ao documentário. Mas  entreguei cópias de sinopses que nos permitiriam um melhor entendimento:
FILME "LÍNGUA - VIDAS EM PORTUGUÊS"

DE VICTOR LOPES
FILMADO EM 2001
"No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas."
             Mia Couto - Escritor moçambicano
"Não há uma língua portuguesa, há línguas em português"
              José Saramago - Escritor português
"Língua - Vidas em Português" é um documentário de 105 minutos co-produzido por Brasil e Portugal e filmado em seis países (Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão). Dirigido por Victor Lopes, o longa-metragem é um mergulho nas muitas histórias da Língua Portuguesa e na sua permanência entre culturas variadas do planeta. Em "Língua", a lusofonia é sobretudo fala, surpreendida do cotidiano de personagens ilustres e anônimos de quatro continentes. Em cada um deles, o português amalgamou deuses, melodias, climas, ritmos. Misturou-se aos alimentos e às paisagens. Foi reinventado centenas de vezes e alimentado por sucessivas de colonizadores, imigrantes e descendentes.
Em Portugal e Moçambique, no Brasil e em Goa, desenham-se os quadrantes de uma herança portuguesa, sempre surpreendente e permanentemente renovada. Acompanhando as trajetórias de seus personagens, e ouvindo suas experiências e sensações, suas memórias e esperanças diante do futuro, o documentário reproduz o movimento de uma língua que ganhou o mundo e que refaz seus caminhos na expectativa de se reencontrar.
Por isso, o filme é um documentário permanentemente em trânsito. Ao entrar e sair da vida dos personagens, o filme desvia-se das suas rotas cotidianas para encontrar cerimônias, casais, locais de trabalho, esquinas e paisagens, traçando retratos reveladores da cultura de cada um dos países visitados.
Entrevistados: José Saramago, Mia Couto, João Ubaldo Ribeiro, Martinho da Vila e MadreDeus.
                                    http://www.almacarioca.com.br/lingua.htm
Todo dia duzentos milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe.
                                     http://www.adorocinema.com/filmes/lingua

Ao término do filme, a primeira coisa que observamos foi que não é comum vermos documentários que versem sobre a Língua Portuguesa. As professoras disseram que já haviam visto algo sobre os países lusófonos, principalmente agora, com o Novo Acordo Ortográfico, mas nada que aprofundasse mais, como o documentário em questão.
Ficou claro que estudar as diferenças não é simplesmente brincar com alguma palavra ou outra, que no Brasil tem um significado e em Portugal, outro, como é o caso de fila/bicha ou moça/rapariga. É preciso entender um pouco mais a cultura dos países que falam a Língua Portuguesa. O objetivo desse encontro não foi buscar material para trabalho em sala de aula, mas indiretamente vai sê-lo, pelo pressuposto de que um professor melhor informado se torna mais competente no ato de ensinar. E o docente da língua materna é hoje mais consciente de que seu conhecimento não pode ser calcado apenas em gramática, ortografia, sintaxe.
E assim, pudemos aproveitar bem o que nos foi mostrado, com observações pertinentes. Eu estava a ver o filme pela terceira vez e  foi interessante descobrir, observar fatos que não notara nas outras duas. A cada olhar descobrem-se coisas diferentes. É a força da socialização, do descobrir com o outro o que não havia percebido antes.
Para incrementar um pouco mais o trabalho, levei para apresentação uma abertura de novela de Portugal, uma música do grupo português Quid (Ex-passos), uma música do cantor também de Portugal, Paulo Gonzo (Segredos - EZ Special) e uma do Tito Paris (Dança ma mi criola), cantor originário de Cabo Verde. Belas músicas, estilos diferentes e ótima qualidade, clique abaixo e confira:
 http://palcoprincipal.uol.com.br/quid  vídeos do Quid
 http://letras.terra.com.br/tito-paris/818245/       vídeo Tito Paris
 As professoras cursistas não tiveram dificuldades para compreender as músicas, mas a do Tito Paris tive que dar uma ajuda porque se trata de uma música em língua crioula.
"O crioulo cabo-verdiano é uma língua originária do Arquipélago de Cabo Verde. É uma língua crioula, de base lexical portuguesa. É a língua materna de quase todos os cabo-verdianos, e é ainda usada como segunda língua por descendentes  cabo-verdianos em outras partes do mundo."
                          Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Finalizando, destacamos como iniciativa louvável para maior valorização do nosso idioma, a criação do Museu da Língua Portuguesa. O interesse em conhecer o museu foi externado por nós e, particularmente, tão breve quanto seja possível, estarei lá em São Paulo, na Estação da Luz, realizando um sonho, que creio, não ser só meu, como professora, mas de todo falante dessa língua maravilhosa que entende que ela precisa ser cuidada, amada.
                                               

                                                      Museu da Língua Portuguesa abre mostra 'Cora Coralina'

     Saber viver
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto dura.
   Cora Coralina
AE - Agência Estado
SÃO PAULO - A doçura e as pequenas narrativas cotidianas da poeta Cora Coralina chegam hoje ao Museu da Língua Portuguesa, com a exposição "Cora Coralina - Coração do Brasil". O evento, que celebra os 120 anos do nascimento de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome de batismo de Cora, tem curadoria de Júlia Peregrino e cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara. Em exibição estão um grande painel com imagens do universo da poeta, manuscritos, cartas, livros, recortes de jornais, revistas e fotografias.
Um dos destaques é um caderno em que Cora colocava fotos da sua cidade natal, Goiás, que fica no Estado de mesmo nome, e, para cada uma das imagens, escrevia um poema diferente. Outra novidade é o livro de receitas da escritora, que ganhou a vida como doceira. Os cadernos foram emprestados por Vicência Brêtas Tahan, filha de Cora. "Nem os pesquisadores tiveram acesso a esse material. São documentos originais que têm coração, corações que batem", garante Júlia Peregrino. O restante do acervo pertence ao Museu Casa de Cora Coralina, que fica na cidade de Goiás.
O cenário montado recria as velhas janelas coloniais e os balaústres da ponte, localizada nas proximidades da casa da poeta em Goiás. "Tentamos explorar quem foi essa mulher, que se sentia parte da sua cidade. No mosaico, reunimos os temas de seus textos, como natureza, pedras e rios", explica Daniela Thomas. "O trabalho de Cora é todo muito delicado, um tanto cru. Ela tinha alguma coisa para falar, e conseguiu", conclui Felipe Tassara.
Se depender da localização, a mostra deve ter sucesso garantido. Atualmente, o Museu da Língua Portuguesa é o mais visitado do Estado de São Paulo. O espaço chega a receber 3 mil visitantes em um único dia. Coincidentemente, Cora Coralina chegou a São Paulo pela mesma estação onde está o museu. "Quando Cora saiu de Goiás para morar em São Paulo, chegou pela Estação da Luz. Agora, mais de 90 anos depois, de alguma forma, volta ao local. Espero que a mostra sirva para criar novos leitores para seus livros", diz Júlia. Além da exposição, o evento marca o lançamento do livro Cora Coralina - Doceira e Poeta, (Ed. Global, R$ 119,00, 144 págs.), obra que traz receitas e homenageia a goiana. As informações são do Jornal da Tarde.
Cora Coralina - Coração do Brasil. Museu da Língua Portuguesa. Estação da Luz, Pça. da Luz, s/n. Tel. (011) 3326-0775. Terça a dom.: das 10h às 17h. Última terça do mês: das 10h às 22h. Até 13/12. R$ 6.
              Museu da Língua Portuguesa http://www.poiesis.org.br/mlp/


            

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